Em uma tarde, sentei pra tomar café na lanchonete da escola de música onde faço aulas de piano às segundas-feiras. Fazia bastante frio, apesar do tempo ensolarado- meu tipo de clima preferido- e tudo que eu queria naquele momento era pegar o próximo ônibus para ir à faculdade e não me atrasar para a aula.
Na mesa ao meu lado havia uma mulher com suas duas netas gêmeas. Ambas aparentavam ter seis ou sete anos, estavam vestidas com uniformes de balé e comiam mini-pizzas de sabores diferentes. Havia alguns cadernos espalhados sobre a mesa, e percebi que a avó se esforçava para ensinar matemática às meninas. Pude presenciar, então, a alegria das duas ao descobrirem quanto é meia dezena.
Eu sei quanto é meia dezena. E uma dezena. Sei quanto é o dobro de uma dezena, sei quanto são dez dezenas. Sei quanto é uma centena e uma centena de milhar. Sei quantos países existem no planeta e quantos planetas existem no sistema solar. Sei amarrar os cadarços e pagar um boleto. Sei de onde vêm os bebês e que a mistura de verde com vermelho é marrom. Sei que as nuvens, na verdade, são conjuntos de partículas de água e as estrelas são enormes esferas de plasma.
Adoro saber das coisas que eu sei. E gosto mais ainda de todas as coisas que eu ainda vou aprender, ou aquelas que eu nunca saberei. Mas às vezes, quando tudo fica meio esquisito, tudo que eu queria era estar no lugar daquelas menininhas por um momento. E de todas as outras menininhas e menininhos que não fazem ideia do que o mundo lhes reserva, como se o mundo todo fosse um grande e inexplorado parque de diversões.

Eu preciso falar que você é simplesmente incrível?!
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